Doenças do sangue: Dr. Kalil e hematologistas detalham sinais precoces
Um dos maiores desafios no combate ao câncer é o diagnóstico precoce da doença. No caso das doenças malignas do sangue, como leucemias, linfomas e mieloma, identificar os sinais de alerta e realizar os exames adequados é fundamental para o início do tratamento.
O coordenador médico do Setor de Hematologia e Coagulação do Einstein Hospital Israelita, João Guerra, entrevistado pelo Dr. Roberto Kalil no CNN Sinais Vitais deste sábado (16), afirmou que pacientes com leucemias agudas frequentemente chegam ao pronto-socorro apresentando infecções, sangramentos ou anemia.
A partir desses sintomas, o exame mais utilizado na prática médica, o hemograma, é o ponto de partida para a investigação. “É a partir do simples hemograma que a gente vai identificar alterações que levam a uma suspeita”, disse o hematologista.
Guerra explicou que a razão para isso está no comportamento das células doentes: quando um quadro de leucemia aguda está instalado, a medula óssea libera para o sangue periférico células jovens, chamadas de células blásticas, que não deveriam estar presentes naquele local.
Essa presença anormal é detectada no hemograma e sinaliza a necessidade de investigação mais aprofundada.
O papel do mielograma no diagnóstico
Quando há suspeita de uma doença da medula óssea, o próximo passo é a realização do mielograma, um exame que consiste em uma punção óssea feita no osso da bacia ou do esterno. João Guerra ressaltou que, atualmente, trata-se de um procedimento simples.
Por meio dele, é coletado material para análise morfológica das células ao microscópio, além de estudos imunológicos, como a imunofenotipagem por citometria de fluxo, estudo citogenético, que inclui o cariótipo, e análises de biologia molecular.
Essas análises permitem identificar os polimorfismos gênicos das células doentes. “Hoje nós somos capazes de identificar a alteração estrutural no DNA da célula que justifica essa doença”, acrescentou Guerra.
Essa precisão diagnóstica é especialmente relevante porque abre caminho para o uso de drogas-alvo. Para Guerra, o cenário atual representa “uma grande revolução no diagnóstico e no tratamento” de qualquer um dos tipos de câncer do sangue.
