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Trajetórias Opostas: Goiás celebra queda na criminalidade enquanto Bahia lidera ranking de cidades mais violentas

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelam o contraste na segurança dos dois estados nos últimos quatro anos. Disputa de facções agrava crise baiana

Por Rubem Gama

O cenário da segurança pública no Brasil tem apresentado realidades profundamente contrastantes. Os dados consolidados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública ilustram bem essa divisão quando se observa o desempenho dos estados de Goiás e da Bahia ao longo dos últimos quatro anos.

Enquanto o estado do Centro-Oeste comemora quedas sucessivas e a saída de seus municípios das estatísticas mais alarmantes, o estado nordestino enfrenta uma crise complexa, aprofundada por disputas territoriais do crime organizado.

Em Goiás, a taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) despencou de 26,1 por 100 mil habitantes, em 2021, para 18,8 em 2024. A redução sistemática não apenas aliviou a sensação de insegurança da população, mas também retirou todos os municípios goianos da lista das 50 cidades mais violentas do país. Além dos homicídios, o estado tem registrado reduções drásticas em crimes contra o patrimônio, como roubos de veículos e cargas, sinalizando o enfraquecimento das estruturas criminais locais.

Do outro lado, a Bahia vive um panorama de alerta contínuo. Apesar de uma recente redução de 8,4% na taxa de MVI entre 2023 e 2024 (caindo para 40,6), o estado ainda amarga indicadores que representam o dobro da taxa goiana. A gravidade da situação reflete-se na geografia do crime: atualmente, a Bahia abriga metade das dez cidades mais violentas do país, incluindo Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro.

Especialistas apontam que a escalada da violência em território baiano é, em grande parte, impulsionada por confrontos bélicos entre grandes facções. Esses grupos disputam rotas logísticas estratégicas para o tráfico de drogas, o que eleva exponencialmente a letalidade nas ruas.

Embora existam respiros locais na Bahia — a exemplo de Barreiras, no oeste baiano, que reduziu sua letalidade pela metade —, o quadro geral escancara o desafio estrutural. O contraste com Goiás demonstra como o controle de rotas e o enfraquecimento financeiro de facções são peças-chave para reverter quadros agudos de insegurança pública.

Rubem Gama

Servidor público municipal, acadêmico de Direito, jornalista (MTB nº 06480/BA), ativista social, criador da Agência Gama Comunicação e do portal de notícias rubemgama.com.br. E-mail: contato@rubemgama.com.br

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