Teixeira de Freitas se despede de Miltinho do Táxi, um homem que fez da amizade o maior legado de sua vida
Após 75 anos de uma trajetória marcada pela superação, pelo acolhimento e pelo amor ao próximo, Miltinho do Táxi deixa uma saudade imensa e uma história que permanecerá viva no coração de centenas de amigos e familiares.

Teixeira de Freitas amanheceu nesta quinta-feira, 29 de outubro, com o coração entristecido pela chegada do momento de despedida de um de seus filhos mais ilustres e queridos: Milton Rodrigues de Souza, o inesquecível “Miltinho do Táxi”, como era carinhosamente conhecido pela população. Ele faleceu no Hospital Costa das Baleias, aos 75 anos, depois de lutar por cerca de dez dias pela vida, em decorrência de um infarto agressivo. Na manhã da última quarta-feira (28), após sofrer duas paradas cardíacas, seu organismo não resistiu. A notícia de sua morte comoveu a cidade e a região, onde Miltinho cultivou, ao longo de décadas, uma legião de amigos que hoje se despedem não apenas de um homem, mas de uma presença afetuosa que marcou profundamente suas vidas. O sepultamento ocorreu as 09h30 desta quinta-feira (29), no cemitério Jardim da Saudade, no bairro Jardim Liberdade, em Teixeira de Freitas.

Nascido em 22 de janeiro de 1951, na cidade mineira de Nanuque, Miltinho conheceu muito cedo as responsabilidades e as dores da vida. Aos 15 anos, perdeu os pais e, como irmão mais velho de cinco, assumiu a condição de arrimo de família, tornando-se responsável pelos quatro irmãos mais jovens: Nilce, Eliomar, Paulo e Nelcy. Ainda adolescente, mudou-se para Pedro Canário, no Espírito Santo, em busca de melhores oportunidades para cuidar dos seus irmãos. Em 1974, aos 23 anos, chegou a Teixeira de Freitas acompanhado dos irmãos, onze anos antes da emancipação política do município. Foi nessa terra que escolheu viver, trabalhar e construir sua história, transformando a luta pela sobrevivência em uma trajetória de dignidade, generosidade e afeição humana.

Ao longo de seus 52 anos radicado em Teixeira de Freitas, Miltinho edificou uma vida profissional marcada pela honestidade e pela convivência com pessoas de todas as classes sociais. Trabalhou no Banco BANEB até próximo de sua extinção, em 1999, também foi proprietário de uma pizzaria e, durante duas décadas, exerceu a profissão de taxista, atividade que lhe rendeu o apelido pelo qual se tornou uma figura tão popular. Há cerca de 40 anos, residia no Conjunto Habitacional Urbis-I, na zona sul da cidade, onde igualmente construiu vínculos de vizinhança e amizade. Foi entre os balcões do banco, as corridas de táxi e os encontros cotidianos que Miltinho conquistou algo que não se compra nem se mede: a confiança das pessoas e o privilégio de ser lembrado com carinho por tantas gerações.
